Levantamento do Açaí Notícia mostra que 407 candidatos disputam 41 vagas na Alepa. Na Câmara Federal, a concorrência é ainda maior: 261 candidatos para 17 vagas, ou 15,4 candidatos por cadeira
A eleição de 2026 começa a desenhar um novo mapa político no Pará. Enquanto centenas de candidatos disputam espaço na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, nomes que já ocupam mandatos adotam estratégias diferentes: alguns tentam permanecer onde estão, outros mudam de cargo e há ainda quem mire o Senado ou o comando do Estado.
O levantamento feito pelo Açaí Notícias a partir das listas de candidatos mostra que 407 nomes disputam as 41 vagas de deputado estadual, enquanto 261 candidatos concorrem às 17 cadeiras destinadas ao Pará na Câmara dos Deputados. Para o Senado, são 11 candidatos em busca de apenas duas vagas.
E fazendo a matemática básica, como se diz por aí, a disputa fica mais fácil de visualizar. Para deputado estadual, são 407 candidatos para 41 vagas, uma média de 9,9 candidatos por cadeira. Na disputa federal, a concorrência é ainda maior: 261 candidatos para 17 vagas, ou 15,4 candidatos por cadeira. Já no Senado, são 11 nomes para duas vagas, uma média de 5,5 candidatos por cadeira. No total, são 679 candidatos apenas nas disputas para deputado estadual, deputado federal e Senado.
Na Alepa, maioria tenta ficar
Entre os 41 deputados estaduais que atualmente ocupam cadeiras na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), 32 aparecem na lista de candidatos a deputado estadual e, portanto, buscam a reeleição. Isso representa cerca de 78% da atual composição da Assembleia.
Os outros nove parlamentares não necessariamente estão deixando a política. Na realidade, boa parte deles está apenas mudando o alvo eleitoral. Rogério Barra, Adriano Coelho, Braz, Bob Fllay e Lu Ogawa deixam a disputa pela Alepa para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados. Já Chicão mira o Senado, enquanto Dirceu Ten Caten trabalha para disputar a vice-governadoria.
Há ainda dois casos diferentes: Igor Normando e Toni Cunha não estarão nas urnas para tentar retornar à Assembleia porque seguiram para o Executivo municipal. Igor é prefeito de Belém e Toni comanda a Prefeitura de Marabá.
Na Câmara, movimento parecido
A disputa pelas 17 vagas federais também terá forte presença de quem já conhece Brasília. Dos 17 atuais deputados federais do Pará, 14 aparecem na relação de candidatos a deputado federal. Isso significa que aproximadamente 82% da atual bancada tenta permanecer na Câmara.
Entre os que mudam de projeto estão Eder Mauro e Celso Sabino, que disputam uma das duas vagas ao Senado. Elcione, por sua vez, muda o caminho e concorre a uma cadeira de deputada estadual.
O resultado é uma eleição em que o eleitor terá uma grande quantidade de candidatos, mas encontrará também muitos rostos conhecidos tentando renovar seus mandatos.
Senado vira destino para nomes de outras disputas
A eleição para o Senado também ajuda a explicar o movimento entre os parlamentares. São 11 candidatos para apenas duas vagas, e entre eles estão nomes que atualmente ocupam outros cargos, como Eder Mauro e Celso Sabino, que deixam a disputa pela Câmara para tentar chegar ao Senado, além de Chicão, que faz o mesmo movimento a partir da Assembleia.
Zequinha Marinho, atual senador, também aparece na disputa e busca a reeleição.
Diante disto, o cenário mostra que o Senado se tornou uma das principais portas de mudança de projeto para políticos que já possuem mandato.
E o Governo do Pará?
Se a disputa pelo Legislativo será numerosa, a corrida pelo comando do Estado terá um peso ainda maior no tabuleiro político. O governador Helder Barbalho deixou o cargo em abril para disputar uma vaga ao Senado, e a então vice-governadora Hana Ghassan assumiu o Governo do Pará. Hana agora tenta permanecer no Palácio do Governo por meio da eleição.
A sucessão estadual reúne seis candidatos registrados: Hana Ghassan (MDB), Daniel Santos (Podemos), Araceli Lemos (PSOL), José Moita (Democrata) e Gal Leite (UP), conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral.
O PSTU mudou a chapa no fim do prazo: Well Macêdo substituiu Cleber Rabelo como candidata ao governo, enquanto ele assumiu a coordenação da campanha.
A disputa coloca frente a frente projetos políticos diferentes e transforma a eleição para o Governo em uma das principais peças do novo desenho de poder no Estado. Além disso, a movimentação para a vice-governadoria também interfere diretamente na composição das chapas e nas negociações entre partidos. É nesse cenário que aparece Dirceu, que deixou de buscar a reeleição para deputado estadual para mirar a posição de vice-governador.
Quem tenta ficar, quem muda e quem quer chegar
Os números ajudam a entender que a eleição de 2026 não será apenas uma disputa entre centenas de candidatos por vagas no Legislativo, uma vez que ela também será uma eleição de rearranjo político. Na Alepa, quase oito em cada dez atuais deputados tentam permanecer no cargo. Na Câmara, a proporção é ainda maior, com 14 dos 17 parlamentares buscando uma nova eleição para deputado federal.
Ao mesmo tempo, nomes conhecidos mudam de caminho: deputados estaduais tentam chegar à Câmara ou ao Senado; deputados federais miram o Senado; parlamentares deixam o Legislativo para comandar prefeituras; e outros entram na corrida pelo Executivo estadual.
Mais do que escolher novos deputados, senadores e governador, os mais de 6 milhões de eleitores paraenses estarão diante de uma eleição que pode redesenhar o mapa do poder no Estado a partir de 2027.