Bruno Batista Assunção foi localizado em uma área de mata na região da Estrada do Rio Preto; polícia diz que ele confessou onde estava a arma usada no crime
Menos de 24 horas depois do assassinato de Layane Rodrigues Porto, de 37 anos, a Polícia Militar prendeu o homem apontado como autor dos disparos que mataram a vendedora na manhã de segunda-feira (21), na Folha 21, no núcleo Nova Marabá. Bruno Batista Assunção, conhecido como “Burro Preto”, foi localizado na manhã desta terça-feira (22), escondido em uma área de mata próxima à Estrada do Rio Preto, nas proximidades da Vila Tibiriçá.
Segundo a Polícia Militar, Bruno aparece nas imagens de videomonitoramento registradas no momento do crime. Layane aguardava o conserto da motocicleta em uma oficina quando foi surpreendida pelo atirador. As imagens mostram o homem se aproximando da vítima e efetuando os disparos antes de fugir.
Após o crime, equipes do 4º BPM, 34º BPM, Batalhão de Missões Especiais e Polícia Civil iniciaram uma operação para localizar os envolvidos. Informações repassadas à polícia indicaram que o suspeito poderia estar escondido na região da Estrada do Rio Preto.
O capitão Rodrigues, do 34º BPM, contou que os policiais encontraram inicialmente um ponto que teria servido de apoio aos envolvidos e, posteriormente, localizaram a motocicleta que teria sido utilizada na fuga. O veículo estava escondido no meio da mata e, conforme a PM, pertence a Douglas dos Santos Ferreira, ex-companheiro de Layane.
A partir daí, as equipes mantiveram o cerco durante toda a noite. Segundo o oficial, policiais do Brejo do Meio e do Batalhão Rural permaneceram na região para evitar que Bruno deixasse o perímetro.
Na manhã desta terça, uma nova informação levou os militares até um trecho específico da área. Um morador teria visto um homem tentando conseguir uma carona. As equipes fizeram uma varredura e encontraram Bruno próximo a uma chácara.
De acordo com a PM, ele não ofereceu resistência e acabou se entregando. Ainda conforme os policiais, o próprio suspeito indicou onde havia escondido a arma utilizada no assassinato. O armamento foi localizado e encaminhado à delegacia.
Moto teria sido usada como pagamento
Além de apontar Bruno como o executor, a investigação tenta esclarecer o que teria motivado e financiado o assassinato.
Segundo o capitão Rodrigues, a motocicleta Bros utilizada na ação teria sido entregue a Bruno como pagamento pelo crime.
Outra informação, obtida pela reportagem com um policial que participou da prisão, aponta que também teria sido prometida a Bruno uma casa avaliada em aproximadamente R$ 120 mil, em uma cidade do Maranhão. Essa segunda versão ainda não foi confirmada oficialmente pela Polícia Civil ou pela Polícia Militar.
Bruno já seria conhecido das forças de segurança por envolvimento em ocorrências relacionadas a tráfico de drogas e roubos, segundo a PM.
Ex-companheiro também foi preso
A prisão de Bruno aconteceu um dia depois de Douglas dos Santos Ferreira, ex-companheiro de Layane, ser localizado na Folha 17. Ele foi detido ainda na tarde de segunda-feira, poucas horas depois do assassinato.
Douglas foi apresentado na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e autuado em flagrante por feminicídio. Conforme a Polícia Militar, ele é investigado como possível mandante do crime e teria participado da fuga, pilotando a motocicleta utilizada para retirar Bruno do local.
Durante os primeiros procedimentos na delegacia, Douglas permaneceu em silêncio e informou que só prestaria esclarecimentos acompanhado de advogado.
A polícia também investiga a participação de um terceiro homem, identificado como Robson, que teria fornecido apoio logístico aos envolvidos e um local para que permanecessem escondidos. Ele foi apresentado à Deam na segunda-feira.
Mãe contou que filha vivia com medo
Antes da identificação de Bruno, a família de Layane já havia relatado às autoridades que a vítima sofria ameaças após o fim do relacionamento com Douglas.
A mãe dela, Maria Sebastiana Rodrigues, contou que a filha teria passado cerca de seis meses com medo do ex-companheiro e buscava a companhia de familiares e conhecidos para evitar ficar sozinha.
Segundo Maria, dias antes do assassinato, Douglas teria ido até a casa de Layane e mostrado uma arma. Diante do medo, a vítima teria pedido que alguém permanecesse com ela durante a noite.
“Ele disse que ela não ia ficar com ninguém, nem com ele nem com ninguém. Ela ficou com medo. Se ela tivesse me falado, tivesse falado para a gente, para a família dela… Ela estava com muito medo, ela se escondia. E eu vi minha filha morta no trabalho. Eu só quero justiça, que a justiça seja feita”, relatou.
Layane era vendedora e deixou uma filha de 12 anos.
Polícia mantém investigação
A major Luciana Silva, do 4º BPM, afirmou que as equipes permaneceram mobilizadas desde o momento em que o assassinato foi registrado e destacou a importância das informações repassadas pela população para localizar os suspeitos.
A policial também orientou mulheres que estejam passando por situações de violência ou ameaças a procurar os órgãos de segurança.
“Sabemos que a prisão dos envolvidos não vai trazer a vida a Layane de volta, mas outras mulheres precisam tomar a iniciativa de denunciar para não chegarmos a essa situação, porque o atendimento às vítimas é em tempo real”, declarou.
A major encerrou a entrevista após a prisão de Bruno com um recado aos agressores: “Agressor de mulher não vai ter paz em Marabá”.
Bruno Batista Assunção será apresentado na Deam para prestar depoimento e, posteriormente, deverá ser encaminhado ao sistema prisional. A Polícia Civil continua investigando a dinâmica do crime, a motivação e a participação de cada um dos envolvidos.