Eleições 2026 colocam novamente Chamonzinho e Toni Cunha em lados opostos em Marabá

Com a entrada da primeira-dama na disputa eleitoral, o embate entre os dois rivais ganha um novo capítulo e promete acirrar ainda mais a política em Marabá / Reprodução

Rivalidade entre deputado estadual e o prefeito atravessa anos, passou pela disputa municipal de 2024 e agora chega à corrida pela Assembleia Legislativa

O que começou com divergências ainda nos corredores da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) ganhou novos capítulos ao longo dos anos e chegou ao cenário eleitoral de Marabá. De um lado, o deputado estadual Wenderson Chamon, o Chamonzinho (MDB); do outro, o prefeito Toni Cunha (PL). Em 2026, a disputa volta a ganhar espaço, desta vez com a eleição para a Assembleia Legislativa do Pará colocando os dois grupos políticos novamente em campos opostos.

A ligação entre os dois remonta ao período em que ambos exerciam mandato de deputado estadual. Em 2019, quando ainda integravam a base do então governador Helder Barbalho, Toni Cunha e Chamonzinho já protagonizavam discussões públicas durante sessões da Alepa. Em um dos episódios registrados naquele ano, os parlamentares trocaram críticas durante um debate sobre indicações políticas para cargos na área da segurança pública.

Na ocasião, Toni defendia que as forças de segurança deveriam ter maior autonomia em relação a indicações políticas. Chamonzinho rebateu, lembrando que também havia feito indicações e questionando a posição do colega. O debate subiu de tom e expôs uma divergência que, posteriormente, deixaria de ficar restrita ao plenário da Assembleia.

2024 colocou os dois frente a frente

O confronto ganhou uma dimensão ainda maior nas eleições municipais de 2024, quando os dois disputaram diretamente a Prefeitura de Marabá. Toni Cunha venceu o primeiro turno com 51,08% dos votos, enquanto Chamonzinho terminou a disputa com 34,03%.

Com a vitória, Toni deixou o Legislativo estadual para assumir o comando da Prefeitura em janeiro de 2025. Chamonzinho, por sua vez, permaneceu na Assembleia e passou a fazer oposição à administração municipal.

Desde então, as divergências entre os dois grupos passaram a aparecer também em discussões envolvendo a gestão da cidade, denúncias, ações administrativas e redes sociais. Em 2025, por exemplo, uma comissão processante chegou a analisar denúncias contra o prefeito na Câmara Municipal, em um episódio que também colocou vereadores e grupos políticos em lados distintos. Documentos da própria Câmara registram manifestações de parlamentares favoráveis ao arquivamento do processo.

Saúde vira novo palco de acusações

Em julho deste ano, a saúde municipal voltou a colocar os dois políticos em confronto público. O episódio começou após a divulgação de uma reportagem sobre o jovem Marcos Eduardo da Costa Souza, de 18 anos, que aguardava transferência do Hospital Municipal de Marabá para o Hospital Regional do Sudeste do Pará.

Após a repercussão do caso, Toni Cunha acusou o grupo ligado a Chamonzinho de utilizar a situação para fazer críticas políticas à Prefeitura. O prefeito também questionou a atuação do deputado na área da saúde.

Chamonzinho rebateu as declarações e acusou a administração municipal de tentar transferir responsabilidades pelos problemas enfrentados na saúde. O deputado também fez críticas à gestão de Toni e citou supostas irregularidades em contratos públicos, sem apresentar, naquele momento, decisões judiciais que comprovassem as acusações.

O episódio é mais um exemplo de como a disputa política entre os dois grupos passou a envolver não apenas declarações nos palanques, mas também episódios da administração pública e a repercussão deles nas redes sociais.

Agora, Lanúzia entra em cena

É nesse cenário que surge um novo elemento na disputa de 2026: Lanúzia Cunha, primeira-dama de Marabá e esposa de Toni Cunha, oficializou candidatura a deputada estadual pelo PL. O lançamento ocorreu em agosto, em Marabá, com a presença do prefeito e de lideranças políticas.

A candidatura acrescenta um novo componente à disputa porque Lanúzia passa a buscar uma cadeira na mesma Assembleia Legislativa onde Chamonzinho já exerce mandato e onde os dois políticos protagonizaram divergências anos atrás.

Apesar de não ser protagonista dos episódios que marcaram a relação entre Toni e Chamonzinho, Lanúzia acaba ocupando um espaço político diretamente ligado ao prefeito. Sua candidatura, portanto, coloca novamente os dois grupos diante de uma disputa eleitoral, agora por uma vaga no Legislativo estadual.

A eleição de 2026 ainda está em andamento e os projetos apresentados pelos candidatos são distintos. Lanúzia afirma que pretende representar Marabá e o sudeste paraense na Alepa, enquanto Chamonzinho busca manter seu espaço no Legislativo estadual.

Mais de 7 anos depois das primeiras divergências públicas entre os dois políticos, a disputa ganha, assim, um novo capítulo. Se em 2019 o palco era o plenário da Alepa e, em 2024, a Prefeitura de Marabá, agora a corrida eleitoral para a Assembleia coloca novamente os dois grupos diante de uma mesma disputa política.