Listas de candidatos a deputado estadual e federal reúnem nomes curiosos, apelidos inusitados e referências que vão de personagens a profissões e até situações do cotidiano
As disputas por uma vaga na Assembleia Legislativa do Pará e na Câmara Federal prometem levar às urnas não apenas diferentes propostas políticas, mas também uma coleção de nomes que dificilmente passam despercebidos. Entre os candidatos registrados no Pará, há nomes de urna que chamam atenção pela criatividade, pelo humor e pela capacidade de despertar a curiosidade do eleitor.
Na política, o nome de urna é uma espécie de cartão de visitas. E alguns candidatos paraenses parecem ter caprichado na escolha. Um deles é “ADM Papaléguas dos Motokas”. A combinação parece reunir velocidade, motocicletas e uma pitada de desenho animado. Se o personagem dos Looney Tunes era conhecido por correr em disparada, o candidato acrescentou os “motokas” à fórmula. A promessa, pelo menos no nome, é de acelerar.
Já “Paulo Cagado” provavelmente terá de conviver com uma situação peculiar durante a campanha: ouvir o próprio nome sendo anunciado em alto-falantes, carros de som e rodas de conversa. É um daqueles casos em que o sobrenome já vem pronto para render trocadilhos.
Também há quem tenha escolhido o reino animal como inspiração. “Raquel dos Animais” deixa pouca dúvida sobre a principal bandeira ou identificação da candidata. Já “Totó” transforma um nome normalmente associado ao universo dos animais de estimação em uma identidade eleitoral curta, simples e fácil de memorizar.
E se o assunto é animal, “Rex a Lenda” parece ter entrado na disputa já com a própria biografia eleitoral pronta. O nome transmite a ideia de que a fama veio antes mesmo da apuração dos votos.
Entre os nomes curiosos também aparece o atual deputado “Zeca Pirão”, que parece ter saído diretamente de uma mesa de almoço para a urna eletrônica. O nome é daqueles que dificilmente passam despercebidos e certamente pode provocar um “quem é Zeca Pirão?” entre eleitores que ainda não conhecem o candidato e antigo deputado.
Outro nome que chama atenção é “Barbicha do Povo”. O apelido tem uma sonoridade popular e parece apostar justamente na proximidade com o eleitor. Afinal, se há um “Barbicha do Povo”, fica a pergunta: quem será o Barbicha da oposição?
A política paraense também tem espaço para referências religiosas. É o caso da “Chapa Coletiva do Axé”, nome que traz para a disputa eleitoral uma expressão diretamente ligada às religiões de matriz africana e à cultura afro-brasileira.
E há candidatos que parecem ter escolhido o nome de urna como uma espécie de profissão. “Pajé Mototáxi” mistura tradição indígena e transporte urbano em apenas duas palavras. É provavelmente uma das combinações mais inusitadas da lista.
Outro nome que parece contar uma história inteira é “Dr. Mardock das Latinhas”. O “Dr.” dá um ar solene, enquanto “das Latinhas” imediatamente desperta a curiosidade. Afinal, que história existe por trás das latinhas?
Na mesma linha, “JG da Sucata” transforma uma atividade ou identificação profissional em marca eleitoral. É um nome direto, popular e fácil de associar.
Já “Harrison o Pobre” aposta em uma estratégia curiosa: incorporar a própria condição econômica ao nome de urna. Em vez de esconder o adjetivo, Harrison José Silveira Santos fez dele uma identidade e não declarou nenhum bem à Justiça Eleitoral – é quase um pobre de Marré Deci e que trabalha como vendedor e caixeiro-viajante.
Tem ainda “Riches Força e Honra”, que parece chegar à urna acompanhado de um lema de batalha entre Legendários. O nome poderia perfeitamente estar estampado em um escudo medieval: força de um lado, honra do outro e o voto no meio.
“S.O.S. Urgente” também não deixa dúvidas sobre a mensagem. O nome já chega com pedido de socorro embutido e talvez seja o único candidato cuja apresentação na urna parece começar com uma sirene.
E há os que preferem um nome mais afetivo, como “Nega Linda”, uma expressão que, dependendo do contexto, pode transmitir proximidade e carinho e que também funciona como uma marca pessoal bastante fácil de memorizar.
Por fim, “Laranjeira Alô Comunidade Pará” parece ter levado para a urna o próprio formato de comunicação com o eleitor. O “Alô Comunidade” dá ao nome uma cara de programa de rádio ou chamada para o bairro. Quase dá para imaginar a abertura: “Alô, comunidade Pará! Laranjeira na área!”
E os federais?
Se os candidatos a deputado estadual já mostram que criatividade não falta na hora de escolher o nome de urna, a lista dos concorrentes à Câmara Federal também reserva algumas escolhas curiosas.
Entre a turma dos quatro dígitos, aparece “Alaor da Fiel”, nome que parece carregar uma forte identificação com um grupo ou torcida, principalmente o Papão da Curuzu. Curto e direto, é daqueles que podem funcionar justamente pela facilidade de associação e memorização.
“Antonio Doido” também chama atenção logo de cara. O apelido transforma uma característica em identidade eleitoral e certamente não passa despercebido entre tantas opções disponíveis na urna, ainda mais carregando “doido pelo Pará” como slogan.
“Chapadinha” segue por uma linha mais simples e popular, com um apelido que pode ter origem em uma identificação pessoal ou territorial. O mesmo ocorre com “DJ Gordo do Crocodilo”, que mistura profissão, apelido e uma referência bastante específica em uma única marca eleitoral.
A “Mãezinha”, por sua vez, aposta em uma relação ainda mais afetiva com o eleitor. O termo transmite proximidade e familiaridade, funcionando quase como um apelido de alguém conhecido pela comunidade. Já “Max do Lanche” leva uma atividade comercial ou profissional diretamente para o nome de urna. A fórmula é parecida com outros candidatos que transformam o trabalho cotidiano em identidade política.
Estratégia eleitoral
Embora alguns nomes provoquem risadas ou curiosidade, a escolha do nome de urna não é necessariamente apenas uma brincadeira. Apelidos, referências profissionais, nomes populares e expressões que aproximam o candidato de determinado grupo podem funcionar como estratégias de identificação e memorização.
No fim das contas, quando o eleitor estiver diante da urna eletrônica, entre centenas de opções, talvez um nome diferente tenha justamente uma vantagem: ser lembrado com mais facilidade. E, no Pará, criatividade para isso parece não faltar.